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Torre do Relógio da Amareleja

FICHA TÉCNICA

Nome do Projecto: Torre do Relógio

Estado: Equipamento, construído

Promotor: Câmara Municipal de Moura

Localização: Amareleja, Moura

Ano de conclusão: 2018

Engenharia:

Estruturas: BETAR - Eng.º José Pedro Venâncio e Eng.º Paulo Mendonça

Hidráulicas: BETAR - Eng.º Jorge Pinheiro

Electricidade: Eng.º João Osório

Telecomunicações e Segurança: Eng.º MarcoPimentel

Construção: Ernesto Ribeiro Ferreira, Lda

Fiscalização: ProGesteam Engineering, Lda

Créditos de Fotografia: Estúdio Peso

Popularmente denominada como Torre do Relógio, esta é uma construção que se destaca na planície da vila alentejana da Amareleja. Tendo sido um edifício construído, por fases e em diferentes épocas, como uma dádiva da população à comunidade, a sua cobertura nunca foi concluída. Ao longo dos anos, as suas paredes e arcos vigiados pela torre, terão tido muitas funcionalidades, entre as quais, a de local de enterramentos no contexto de um surto de peste que se abateu no século XIX por aquelas terras alentejanas. Ainda que não tenha havido muita escavação, no decorrer da obra, foram identificados treze enterramentos realizados nessa época.

Em 2015, o município de Moura entendeu promover a conclusão e fecho da cobertura deste edifício simbólico da vila, ainda que mantendo a possibilidade da sua abertura, e criando, no seu interior, um espaço polivalente que pudesse albergar programas de carácter religioso, cultural ou eventos das mais diversas índoles como sucedia até então.

O registo da história desses impulsos populares permanece marcada nas paredes exteriores do edifício e nas diferentes formas de construção e de emparelhamento da pedra e cerâmicas. No seu interior, alvo de muitas e menos qualificadas intervenções recentes, optou-se por efectuar algumas limpezas, reparações e uniformizar a cor a partir de um acabamento de pintura a branco, deixando apenas a textura e as irregularidades próprias do emparelhamento e, no seu exterior, assumindo todas as redes necessárias ao bom funcionamento do edifício.

Na cobertura, optou-se por não repetir os vários métodos construtivos ensaiados nas diferentes épocas introduzindo uma nova materialidade, o aço corten. O aço corten, com um processo de oxidação controlada, permitiu-nos acrescentar uma nova textura de rápida absorção das marcas do tempo, representando um momento de continuidade horizontal na paisagem.

Apesar da torre já ter tido um revestimento de pedra e de na nossa proposta inicial, aprovada pelo município de forma unânime, constar a sua pintura à cor branca, ela motivou uma enorme contestação popular no decorrer da obra. Na sequência disso, desencadeámos um processo participativo (que aqui descrevemos), e chegámos a uma solução que, ainda que não repita as cores existentes na Torre desde meados do séc. XX, ela faz-se com um esquema de cores que usa o Amarelo Alentejo e o Vermelho Málaga muito utilizados na vila. Este processo serviu para criar um importante laço entre a comunidade e o novo projecto.