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Casa de Maria de Jesus

FICHA TÉCNICA

Nome do Projeto: Casa de Maria de Jesus

Estado: Habitação, construído

Clientes: Maria de Jesus Marques

Apoios: Fundação Calouste Gulbenkian

Localização: Casal da Ribeira, Mação, Portugal

Ano de conclusão: 2018

Área bruta construída:  218,18 m2

Engenharia:

Estruturas: BETAR – Eng.º José Pedro Ferreira Venâncio

Hidráulicas: AQUAEPRO – Eng.ª J.Pereira Monteiro

Electricidade e Segurança: EACE – Eng.º João Coelho

Telecomunicações: EACE – Eng.º João Cristóvão

Painéis Solares Térmicos: EACE - Eng.º João Caramelo

Antropologia: Ana Catarino 

Construtora: Fundação Calouste Gulbenkian

O presente projecto é parte integrante do processo de reconstrução de primeiras habitações destruídas na sequência dos incêndios ocorridos no Verão de 2017, que em Junho afectaram os concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Sertã, Penela, Góis e Pampilhosa da Serra e, em Julho, o concelho de Mação.

Depois da tragédia, cidadãos e instituições fizeram donativos para ajudar à reconstrução das casas e vidas afectadas pelos incêndios. A Fundação Calouste Gulbenkian, responsável por um dos maiores fundos, providencia assistência técnica no processo de reconstrução, no qual o ateliermob fez projecto para as sete casas.

O presente projecto refere-se à habitação pertencente a Maria de Jesus, localizada em Casas da Ribeira, União de Freguesias de Mação.

Destacam-se alguns factores importantes do edifício existente que levam à melhor compreensão do projecto final apresentado. Trata-se de uma habitação isolada, de construção original em pedra com dois pisos, subdividida em dois núcleos: a Poente um “anexo” de apoio à actividade agrícola e outro, a Nascente, destinado a habitação. A Sul, avança aposto à construção original um volume onde se encontra, no piso térreo, uma cozinha e, com acesso exterior por escadas, uma cobertura em terraço de onde ao piso superior da edificação original. A construção deste volume assenta em estrutura de betão e panos simples de alvenaria de tijolo furado.

O incêndio danificou profundamente a edificação, destruindo integralmente coberturas e lajes e danificando significativamente as paredes divisórias mais ligeiras.

A reconstrução proposta prevê a manutenção dos dois pisos. Propõe-se a construção de uma moradia cujo piso inferior segue a implantação da construção original, delimitada pelas paredes exteriores em alvenaria de pedra ao nível do piso inferior e reduzindo a área coberta no piso superior onde se abre um terraço, a Sudoeste.

A entrada para a habitação mantém-se a Sul, sensivelmente à cota actual, com acesso a partir da Rua da Igreja, é relocalizada para Poente e recuada em relação ao plano da fachada permitindo abrigo e acesso também a um espaço de arrumos. Na parede do anexo abre-se ainda um vão maior que iluminará o interior em toda a profundidade. A Nascente é retomada a volumetria original adaptando-se os vãos à organização interior actual respeitando as características da pré-existência, princípio que se estende aos restantes alçados.

A Norte é mantido o acesso directo ao exterior a partir do piso superior, que encontra a cota do terreno, dado o seu declive. Prevê-se que o exterior seja revestido a reboco e pintura a cor branca, à excepção dos alçados Nascente e poente onde se pretende visível a pedra em que são construídos.