Este livro surge, num primeiro momento, da necessidade que sentimos em refletir, passados cinco anos dos incêndios em Pedrógão Grande, sobre o nosso trabalho e as várias metodologias que fomos experimentando durante o processo.

Mais do que uma reflexão sobre a prática disciplinar da arquitetura, quisemos escrever um texto que pensasse como, a partir dum evento traumático, se pode ensaiar outras formas de construir o nosso território. Se é certo que o papel da arquitetura é fundamental, não é menos verdade que a prática desta disciplina pode ser exercida de muitas formas. Acreditamos num trabalho coletivo, multidisciplinar, se não mesmo interdisciplinar, onde a prática da participação implica uma discussão permanente de olhares: o nosso, o dos moradores cujas casas estamos incumbidos de desenhar, o das instituições do/no território. Este tempo, onde todos nos encontramos para conversar, é um tempo que raras vezes tem a duração merecida ou desejada. Refletir sobre um processo cujo tempo foi sempre escasso significa também identificar zonas menos claras, que ficaram de fora ou que poderiam ter sido mais bem definidas. Porque não se trata de um livro exclusivamente sobre a prática da arquitetura que aqui experimentamos, não é, por isso, um livro sobre a disciplina. Com este texto quisemos refletir sobre o mundo onde nos situamos e nos implicamos, alargar a escala de olhar e chamar à conversa termos como alterações climáticas ou catástrofes naturais por entendermos importante situar o evento do incêndio de Pedrógão Grande de 2017 num debate mais alargado. Entendemos que estes termos também se imiscuem na forma como a arquitetura é praticada ou chamada a participar quando se trata de pensar outras formas de planear e ordenar o nosso território. É, por isso, importante entender como o naturais que surge depois do termo catástrofes tem, na verdade, muito pouco de natural.

Este não será um documento com uma tese fechada, no qual se poderão identificar heróis e culpados, mas uma reflexão em que se pretende abrir portas para outras discussões e outros caminhos.

LIVRO

Imagens

Memória descritiva

Com a exposição queremos mostrar o resultado da imersão num quotidiano onde para desenhar e construir um olhar foi necessário questionar e trabalhar a partir do trauma da perda.

Mais do que os projectos de arquitectura queremos reflectir e discutir sobre o papel da arquitectura que, em conjunto com outras áreas disciplinares, desempenha na melhoria do nosso ambiente construído - o habitat no seu sentido mais lato. No imediato, o que nos propusemos foi, com cada uma das 7 famílias, imaginar e desenhar uma nova casa, uma nova proposta de espaço doméstico e de intimidade que, em simultâneo, pudesse dar pistas para outras formas de habitar a paisagem.

Este foi um processo feito num tempo que nos pareceu sempre a correr. Tentar que a urgência imposta não nos condicionasse imaginação, nem aos moradores, foi um desafio. Mostrar como o tempo se impôs como variável ao projecto e ao processo e por isso, como a arquitectura pode ou não responder à urgência. No final, expondo as fotografias, queremos que a imagem seja mais do que a ilustração da construção com seus personagens e que elas possam expressar porque defendemos que o acesso à arquitectura é um direito de todos.

Ficha técnica

Nome do projecto
Pedrógão Grande | Livro
Categoria geral
Exposição
Publicação
Parceiros
Livraria Tigre de Papel, Largo Residências, DGArtes
Portugal
Estado
Concluído
Data de início
2022
Data de conclusão
2023
Pesquisa
Mariana Marmelada
Revisão
Sara Goulart
Tradução
Bluedimension
Design Gráfico
Ana Teresa Ascensão
Produção Gráfico
Gráfica Maiadouro, S.A.
Imagens
Fg+Sg