BACIA HIDROGRÁFICA DO ZÊZERE - LABORATÓRIO NA PAISAGEM: PROJECTO-PILOTO DE PLANEAMENTO COLABORATIVO NO MUNICÍPIO DA SERTÃ

July 12, 2017

Gente da várias universidades e instituições de todo o território nacional, profissionais de diferentes saberes, organizam-se para o apoio à reconstrução das áreas afectadas pelos incêndios. A partir de 5ª Feira na Sertã.


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(imagem retirada daqui)




COMUNICADO DE IMPRENSA



O incêndio de Junho passado e a gravidade da catástrofe ocorrida nos municípios afectados sugerem a necessidade de se adoptarem medidas capazes não só de reconstruir os lugares, como de impedir que estas situações se possam repetir.
No entanto, a análise da situação e o lançamento de propostas não devem cingir-se a momentos pontuais, nem a localizações específicas, nem à visão duma disciplina ou mesmo à junção de várias. É essencial que as novas estratégias sejam construidas atendendo a um arco temporal mais amplo e com uma visão territorial abrangente, capaz de ser replicada em outras geografias, e através duma lógica que permita que administração e os seus técnicos, comunidades e investigadores terem uma visão conjunta e compartilhada.
Com base nestas convicções, uma plataforma de técnicos, movidos pela sua responsabilidade cidadã, reuniu-se e mobilizou-se para sustentar a necessidade de criação de um Laboratório na Paisagem da Bacia Hidrográfica do Zêzere. Esta plataforma resulta da iniciativa conjunta do Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento da Universidade de Évora (CHAIA e DEPAO) e do CEAU (Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo) da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. Considera que a paisagem deverá ser a unidade de trabalho das políticas públicas em matéria de ordenamento e planeamento. Deverá, portanto, a paisagem em si ser o critério orientador da sua própria produção.
A plataforma integra investigadores provenientes de várias universidades do país – Universidade de Évora, Universidade do Minho, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade do Porto, Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, etc -, bem como investigadores em prática isolada ou contexto empresarial. Conta ainda com profissionais de diferentes áreas de investigação e trabalho com comunidades, que inspiram o modelo de planeamento colaborativo em que a plataforma pretende assentar. Associaram-se também profissionais da área do design thinking, metodologia que pretende introduzir novas ferramentas de trabalho na produção de conhecimento e na inovação. Por fim, juntaram-se também profissionais de diferentes áreas de trabalho (arquitectos, arquitectos-paisagistas,juristas, psicólogos, sociólogos, antropólogos, fotógrafos, etc) disponibilizam-se para apoiar a iniciativa, seja na sua operacionalização, seja no seu registo (por fotografia, audio, video, desenho, etc).
Esta iniciativa começará com um projecto-piloto, no Município da Sertã, que se mostrou receptivo a acolher o trabalho desta plataforma, disponibilizando apoio logístico para a realização dos trabalhos. Entre sexta-feira e domingo, uma equipa de cerca de 30 voluntários irá realizar trabalho de campo em áreas delimitadas no concelho da Sertã, correspondentes a sub-bacias hidrográficas, tanto em zonas consumidas pelos incêndios, como em zonas que tenham sido poupadas. Pretende-se analisar diferentes variáveis (recursos hídricos, orografia, coberto vegetal, etc), com vista a identificar o que, nestas paisagens, seja para manter, para melhorar ou para fazer de outro modo.
Estes trabalhos iniciam-se com uma conferência no SerQ (Centro de Inovação e Competências da Floresta, da Sertã), a 13 de julho, em que vários membros da plataforma apresentarão o seu ponto de vista sobre as questões que os incêndios suscitam e que vão muito para lá da questão da floresta. Os trabalhos culminam segunda-feira, dia 17 de julho, com a apresentação dos resultados desta primeira fase. Irá ser apresentada uma lista de medidas a aplicar no curto, médio e longo prazo, inscritas num programa de acção, que considere uma política pública assente numa estratégia que vá além da floresta, e que actue no âmbito das bacias hidrográficas, que não se deverão circunscrever ao governo da água.
O objectivo é estender a iniciativa a todos os municípios da Bacia Hidrográfica do Zêzere, que apresentam características e problemas semelhantes, que deveriam ser pensados como um todo. Deste modo, pela mudança de paradigma, entende a plataforma, se conseguirá romper o ciclo de risco que conduza à repetição da catástrofe.



Aurora Carapinha, CHAIA e DEPAO, Universidade de Évora


Helena Barbosa Amaro, MDT/CEAU/FAUP


Ivo Oliveira, Lab2PT/EAUMinho


Domingos Lopes, UTAD


Alfredo Dias, DEC/UC


João Ferrão, ICS-UL