"Arquitectura e inclusão social: a todas as portas", 20 de Julho às 19 horas em Tomar

July 18, 2016

 


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Os acontecimentos que têm assombrado a Europa pela confrontação a que a obrigam com a sua lógica e os seus valores chegam a Portugal.


A violência das imagens que vemos de refugiados a chegar a uma Europa que se definiu a si mesma como um espaço natural de acolhimento e de inclusão faz-nos reflectir sobre o nosso papel como cidadãos e sobre a acção específica dos arquitectos.
Da arquitectura e do seu papel como corpo capaz de integrar em si, na sua disciplina, questões e temas que implicam todos. Inclusão parece-nos ser um tema positivo, ou seja, um tema que surge naturalmente e que decorre da prossecução natural da vida em comunidade. Na realidade, inclusão surge como um tema reactivo, como uma resposta a manifestações de exclusão.


Este será um primeiro tema para o debate, preocupamo-nos com a necessidade de incluir porque nos confrontamos com a exclusão.


O Conjunto Habitacional de Penela, obra que aqui se apresenta pela circunstância de pertencer a uma proximidade geográfica com Tomar, traz-nos a escala e a amplitude destas questões que nos parecem próximas na nossa coexistência mediática com o mundo em que vivemos, neste caso o problema específico dos refugiados sírios, mas traz-nos de volta aos nossos problemas quotidianos como o é a integração das comunidades ciganas no espaço alargado de que todos fazemos parte mesmo que não participem do mediatismo da informação com que nos confrontamos diariamente.
Acontece reconhecermos um problema que existe à frente dos nossos olhos quando o localizamos pela mira dos media. Muitas vezes viver e fazer reconhecer um problema passa por mantê-lo vivo, à luz, longe da obscuridade, do esquecimento.


Boa parte da arquitectura do século XX emerge como resposta às condições de vida de um mundo em processo de industrialização e muitas das respostas então estabelecidas são ainda presentes. As décadas de 1960 e 70 construíram espaços de confluência entre a arquitectura e a sociologia que permanecem actuais e formaram muita da consciência social que tem hoje espaços activos nas discussões que se estabelecem sobre o papel social que a arquitectura tem ou pode vir a ter na vida que todos compartilhamos. A arquitectura manifesta, pelos programas que lhe dão origem e pelas respostas que propõe, um espaço de reflexão sobre a sua participação nos processos de construção das formas e dos espaços em que vivemos.
O segundo tema de discussão que propomos é precisamente sobre esse papel. No espaço de tempo que corresponde a esta edição do Habitar Portugal, 2012-2014, que coincidiu com a intervenção da troika em Portugal, qual é o estado desse espaço de reflexão? Como se manifestou na arquitectura que por aqui se pratica? Que formas, processos, intenções traz a arquitectura para um espaço mais alargado de discussão?


E a arquitectura, ela própria, como fica?




Oradores
Tiago Mota Saraiva (arquitecto, ateliermob)
José António Pinto / Chalana (assistente social, Bairro do Lagarteiro do Porto)
Manuela Mendes (socióloga, CIES / FAUTL)
João Boto Caeiro (arquitecto, rootstudio (MEX))



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Comissariado
HP12–14