A Malagueira e Rio de Moinhos

September 14, 2014




Esta história conta-se assim. Há quase vinte anos, ainda eu e a Andreia andávamos pelas faculdades, sempre que passávamos no Alentejo dávamos um salto a Évora. Se a passagem fosse de poucos minutos, virávamos costas ao património mundial e seguíamos religiosamente ver o que estava a crescer na Malagueira. Com a passagem dos anos a gula imobiliária que massacrou a cidade fez-nos ir perdendo a relação de afecto. Há mais de dez anos que não passava na Malagueira, apesar das viagens pelo imenso Alentejo se terem intensificado.
Contudo, há dias, deparei-me algures com uma pequena fotografia de um anfiteatro ao ar livre em betão, parecidíssimo com o que projectámos e construímos em
Rio de Moinhos. Mostrei-o no atelier e a Rita, prontamente, disse-me ser na Malagueira.
Ontem, de passagem para Moura, não pude deixar de ir ver com os meus próprios olhos.
O projecto de Rio de Moinhos foi um parto fácil. Parecia que as soluções já estavam todas na nossa cabeça (lembras-te Verita?).
A minha memória não me permite dizer se já tinha, ou não, estado naquele anfiteatro desenhado por Siza Vieira.
Gosto de acreditar que sim. Gosto de acreditar, como diz a Rita, que ver arquitectura nos abre o léxico de soluções arquitectónicas. Gosto de acreditar que este anfiteatro da Malagueira nos ficou no subconsciente e que nos ajudou a projectar em Rio de Moinhos.



tms, escrito ontem no facebook