1º Prémio | 1st Prize
[ENG] No English translation.
[PT]

Introdução
A Amareleja, é um caso paradigmático e caracterizador da história do séc XX português. No início do século a agricultura era a actividade de maior desenvolvimento económico. O Alentejo, apesar de manter uma estrutura fundiária de características feudais, dependente dos grandes latifúndios, assumia-se a nível nacional como o principal actor da produção agrícola - o que lhe terá valido o epíteto salazarista do celeiro de Portugal. Contudo, embora a sua importância económica no contexto nacional nunca se tenha traduzido numa extraordinária melhoria das condições de vida das suas gentes, existia trabalho o que, nos últimos séculos, é um dos principais factores para a constituição de aglomerados populacionais. As oscilações demográficas da Amareleja são lapidares. A agricultura fê-la ser considerada a maior aldeia de Portugal, com quase dez mil habitantes entre os anos 40 e 50, reconhecida pela construção, em 1935, do Campo de Aviação Cifka Duarte. Depois, o contexto de crise internacional pós-2ª Grande Guerra e o consequente endurecer nacional do regime fascista que teve um dos seus reflexos na guerra colonial, foram aumentando as condições de exploração nos campos e provocando um massivo processo de emigração e migração para os centros urbanos, que o 25 de Abril e a curta Reforma Agrária não conseguiu conter. Desta forma, a maior aldeia de Portugal nos anos 40 (cerca de 9.000 habitantes), em 1990, não foi elevada a Vila por já não ter 3.000 habitantes recenseados, contrariedade ultrapassada no ano seguinte sob a justificação que haveria muitos cidadãos que não estariam recenseados. 2763 foi o número de habitantes registados pelo INE, nos censos de 2001. Este plano de pormenor é um momento determinante na fixação das actividades produtivas que já existem e na promoção da fixação de novas estruturas que se traduzam no aumento do número de postos de trabalho e que, actualmente, não têm condições para se instalar na vila. A área de intervenção localiza-se na frente urbana norte da Vila, onde se ergue a maior elevação, nas imediações desta, que mesmo sem grande expressão contrasta com a planura da vila que se expõe levemente a sul. O clima da região é mediterrânico, de grande amplitude sazonal, os Verões são quentes e secos e os Invernos frios, a precipitação é abundante e concentrada no Outono/Inverno. No solo predominam os xistos (ardósias), de foliação quase perpendicular à superfície, com afloramentos frequentes, especialmente onde os declives são maiores, e os solos são muito delgados e pobres. A ocupação cultural do solo varia entre pastagens, culturas arvenses de sequeiro, olival e vinha. As áreas arborizadas são geralmente de baixa densidade com excepção de algumas zonas extensas de pinho e eucalipto. As árvores típicas da região são as azinheiras (Quercus rotundifolia), sobreiros (Quercus suber), carrascos (Quercus coccifera), e oliveiras (Olea europaea).
Da análise arqueológica fornecida pela Câmara Municipal de Moura ressaltam os cercados em xisto como elemento matricial e determinante na divisão das terras, a eira e o poço como referências à memória colectiva da população e da sua actividade produtiva.
[PT] O ateliermob obteve o 1º prémio no Concurso Público de Concepção para Elaboração do Plano de Pormenor da UP4 da Amareleja (Diário da República). O Júri considerou a proposta de desenho urbano "muito bem estruturada, com lógica e flexibilidade no zonamento das actividades, dimensionamento dos lotes" e salientou ser "sensível à abordagem do espaço urbano existente, reinterpretando, para a função proposta, a escala e a tipologia do edificado" (acta do Júri).
[ENG] Ateliermob has won the 1st Prize on the Competition for the UP4 Master Plan of Amareleja (Competition Announcement). The Jury has considered the urban design proposal "very well structured, with logic and flexibility the zoning of activities, lot-sizing" and reinforced the fact of being "sensitive in approaching the existing urban space, reinterpreting, for the purposed function, the buildings' scale and typology" (Jury's Minutes).
