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[ENG] Descriptive text applied to the competition for one architecture exhibition at Berardo's Museum/Lisbon's Trienal. No English translation.
[PT] É recorrente dizer-se que apenas 2% do que se constrói no mundo é projectado por arquitectos e, na década de 90, Carlos Arroyo escrevia que 30% a 85% do que se construía nas cidades era espontâneo (1). Ao invés, há muito que as grandes operações financeiras, que impliquem com o construído ou imobiliário, já não dispensam os ateliers de arquitectura, o que leva o arquitecto chileno Alberto Mozó a afirmar que 50% dos gastos energéticos que se realizam no mundo se decidem em ateliers de arquitectura.

Não existirá um momento certo, mas será certamente urgente repensar o habitar no nosso momento histórico específico, sendo que nos últimos anos a defesa pelo direito universal a uma habitação condigna, foi sofrendo sérios revés, em torno do que se entendeu denominar como a crise do imobiliário.
Uma exposição onde se fale sobre casas, na actual conjuntura, fará sempre parte daquilo a que Cameron Sinclair chama de “pegada ética” da profissão dos arquitectos, abordando ou não estas temáticas.
Que se fale então de casas, das “do sagaz exercício de um poder” às que “encontram seu inocente jeito de durar contra”. Que se confronte modelos e ambições. Que se destruam ilusões e desilusões. Que se tragam os computadores para as ruas. Agora tratemos da sua exposição.
Em primeiro lugar entenda-se que um projecto de arquitectura de uma exposição, ainda por cima, de arquitectura, tem como ponto iniciática duas abordagens possíveis: uma intervenção de autor em que o próprio projecto ganha relevância como uma parte do todo ou o desenho de um suporte que se constituía como uma ferramenta ao serviço dos conteúdos expositivos. Embora mais difícil de explicar num concurso público, interessa-nos mais a segunda abordagem.
Trata-se por isso de desenhar um suporte que consiga vencer os condicionalismos do espaço para onde será projectado e que permita que a exposição se possa desmultiplicar em várias exposições dado que estamos em crer que, a existir a intenção de itinerância em Portugal, haverá poucos espaços com área suficiente para que sejam apresentados, de uma só vez, todos os conteúdos que serão exibidos durante a Trienal.

A nossa proposta desenvolve-se em três eixos distintos, sub-divisíveis por sua vez em três áreas (por núcleos programáticos), o que dará um total de nove sub-sectores.
A entrada e saída é feita de uma forma axial e pelo mesmo vão. O visitante é confrontado com um espaço a todo o comprimento do piso térreo do Museu Berardo no qual são expostos, numa estrutura em mesa a uma cota baixa, maquetas e desenhos. Este espaço é fluído e amplo de modo a permitir uma leitura geral de toda a exposição, constituindo-se como um enorme hall de distribuição para os outros eixos da exposição ou como o espaço para uma primeira leitura rápida dos seus conteúdos.
À direita de quem entra na sala, desenha-se uma estrutura expositiva clássica em paredes perpendiculares ao percurso expositivo, no qual a luz natural desempenhará um papel importante. Se no primeiro espaço o percurso é tendencialmente elíptico, neste segundo eixo expositivo pretende-se que o visitante viaje ziguezagueando pelos percursos que mais o intrigam.
À esquerda de quem entra encerra-se os espaços mais fechados (para projecções ou partes da exposição mais autónomas. A sua forma decorrerá em qualquer dos casos dos conteúdos a serem expostos, sendo que o seu princípio base é que se constitua em três/quatro salas de paredes espessas, com diferentes acústicas desenhos e materialidades interiores.
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Se a ideia de grande hall é bem presente no eixo principal da exposição, os outros dois eixos expositivos procuram reflectir sobre a ideia do interior e do exterior.

Como anteriormente referimos, parece-nos que este pode ser o momento certo para uma reflexão radical sobre a casa nas três geografias propostas desenvolvida sobre um suporte expositivo económico, eficiente e pragmático.
(1) ARROYO, Carlos. Chabolas. Fissuras: Como construye la outra mitad. Madrid: Imprenta, pp. 144-149, Maio 1997.






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